Foi assim que a encontrei, nua, ensanguentada, afogada na lama, sem vida.
Ao seu lado um rapaz, nú, desmaiado.
Não sei quanto tempo contemplei a cena. Muito menos quanto tempo levei para esquecer a cena. Também não me lembro como alí cheguei.
Impossível descrever o prazer que eu sentia ao ver aquela mulher morta. Tudo a minha volta parecia estar lento demais. Eu estava entorpecido.
A chuva batendo nas minhas costas, o cheiro da lama e da morte me excitavam.
Desconexo, arrastei o corpo do rapaz para longe daquela mulher feia, enlameada, morta. Uma febre tomou conta de mim ao tocar o corpo frio do rapaz.
Não sei por quanto tempo levei para arrastá-lo até aqui. Mas a morte não faria parte dele. A morte pertencia a mulher, somente a ela.
Beijei-lhe os lábios, e minhas mãos percorreram o peito daquele rapaz inconsciente. A chuva lavava aquele corpo branco, pálido, frio.
Despi-me e deitei ao seu lado. O envolvi com meu próprio corpo na tentativa de aquecê-lo. A morte não pertencia a ele. A morte era daquele mulher suja.
O cheiro da terra, o cheiro dele, a respiração lenta, os detalhes do seu corpo, tudo enfim. Pertencem a mim, e não a morte.
Silêncio absoluto e nada mais existe. Ao invés do calor, o frio. E o corpo frio do rapaz fica cada vez mais frio. A respiração cessa.
Não adianta gritar.
Não.
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