Eu estava sentado em um dos bancos esperando o trem, quando vejo aqueles seguranças ferroviários acompanhando um senhor. Esses homens fardados em preto, com “ares de superioridade”, de que sabem “exatamente o que fazer em qualquer situação” pareciam meio desnorteados, sem rumo, sem atitude, sem uma porção de coisas que deveriam saber.
O senhor continuava ali, naquela triste condição. Outros passageiros que estavam aguardando o trem somente observavam, afinal, o que nós poderíamos fazer? Não sou “entendido no assunto”, e acredito que os observadores não eram também. Mas tínhamos a esperança que os seguranças treinados saberiam o que fazer.
O senhor curvou-se. Gritou. Chorou. Gritou de novo e chorou mais. Assustado, um dos seguranças teve a fantástica idéia de ligar para a emergência, mas não sabia o número. Nenhum dos seguranças sabia pra onde ligar. O senhor gritou de novo e o choro continuou.
Em instantes ouvimos as sirenes. Uma das pessoas que observava a situação já tinha acionado a ambulância. Junto com as sirenes ouvimos o som do trem chegando. Tive somente tempo de entrar no trem e olhar pela janela a figura daquele senhor caindo ao chão com a mão no peito. Eu acredito que ele morreu, mas, assim como a maioria das pessoas ali presentes, eu tinha um compromisso importante demais para se importar com a vida de um desconhecido.
Aliás, quem se importa?
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