Ela não encontra ânimo algum nas festividades de fim de ano. Não suporta a idéia de quem um NOVO ano virá, porque não suporta o NOVO. Sente-se tão confortável com o passado, com o que lhe é conhecido, que a surpresa do desconhecido lhe causa pavor.
Hoje não vai trabalhar. Não quer saber de ver ninguém nas ruas lhe dizendo BOAS FESTAS, FELIZ ANO NOVO, FELIZ NATAL, e ter que responder PRÁ VOCÊ TAMBÉM, sendo o que ela mais gostaria de dizer é ME DEIXE EM PAZ.
Hoje ela também não olhou no espelho. As marcas no rosto denunciariam seu saudosismo de sua jovialidade abafada pelo tempo.
Não tomou café, somente vodka com guaraná. Ela queria evitar a cafeína. Sentiu vontade de fumar, mas lembrou-se que não fumava. Sentiu vontade de gritar, mas acordara rouca.
Sentiu vontade de morrer, mas lembrou-se que há muito não vivia mais...
Um comentário:
Di,
Quando vc disse que tinha escrito algo, não imaginava mesmo que se tratava disso...
Talvez, e somente talvez, eu tenha acertado quando questionei que falavas de mim no blog.
Ainda não tenho certeza, mas a sensação que me invade já há algum tempo é essa:
"lembrou que há muito não vivia mais..."
A vantagem, e talvez meu maior defeito seja esse... aprendi a dissimular a não-dor.
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