06/04/2012

Coração de vento

A pulsação havia sumido, ou pelo menos pensou que havia sumido. Tentou sentir no lado do pescoço com o dedo indicar e o dedo médio levemente apoiados sobre o local preciso onde deveria haver pulsação, e nada sentiu. Tentou sentir no pulso, com os mesmos dois dedos, mas nada sentiu. Tomou cuidado, inclusive, de não tentar sentir com o dedão, pois poderia confundir a sensação de batimentos cardíacos.
Sabia que não deveria ter atendido aquela ligação. Sabia. Sentia-se quente, via-se vermelho frente ao espelho, conseguia sentir o sangue percorrendo todo o interior do seu corpo. Mas não achava a pulsação.
O telefone tocou novamente. Sentiu na boca o que não sentia em nenhuma parte do corpo. Sentiu na boca a ritmada batida de um "eu te amo" encurralado entre os dentes, esmagado entre os lábios, e inaudível para seu interlocutor.

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