25/04/2012

Elegância da decadência

Então chegou como quem não queria nada, bebeu do meu copo, babou na minha cerveja e me encarou. Cambaleava de um lado para o outro, num balé digno de aplausos de quem bebia e jogava nas mesas de plástico. Bebeu do copo de outros e de outras. Falava de seus ódios e seus amores, suas frustrações, dissabores e mentiras. Falava em estupro, em prazer, em música alta, em corpos atados. Babava...
Virou mais um copo, que não era seu. Apoiou-se no meu ombro, depois em outros ombros. De ombro em ombro foi fazendo reverência, mesmo que não fosse essa sua intenção. Não havendo mais ombros, caiu.
O bar fechou. E no final do show elegantemente decadente, um cão ao seu lado recostou.

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